02/09/15

Ipea aponta redução da vulnerabilidade social em 27% no Brasil

Marcelo Laitano O Atlas de Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros foi lançado no dia 1º de setembro O Atlas de Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros foi lançado no dia 1º de setembro

Dados avaliados no período de 2000 a 2010 apontam que o índice de vulnerabilidade social (IVS) caiu em 27% no Brasil. A informação é do Atlas de Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros, lançado nessa terça-feira (1º), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília (DF). Esses e outros dados podem ser encontrados na plataforma ivs.ipea.gov.br/ivs, também lançada ontem.

Os dados foram apresentados pelo diretor de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais do Ipea, Marco Aurélio Costa. Também participaram da mesa de debate o presidente do Instituto, Jessé Souza, a diretora executiva da Fundação Seade, Maria Helena Guimarães de Castro, e a secretária-adjunta de Avaliação e Gestão de Informação, do ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Vitor Chaves.

Segundo Jessé, esse trabalho não poderia ser mais oportuno para as questões que o país enfrenta, tanto na política social quanto na necessidade de criar mais mecanismos para entender como ela funciona. Ele afirmou que 70% da população brasileira era analisada apenas pela renda. "O Brasil fez um esforço enorme de inclusão nesses últimos anos. Esse é um universo que a gente conhece muito pouco, pois imaginamos que só conhecendo o quanto as pessoas têm no bolso, sabemos quem elas são. Isso é uma falácia, embora também seja importante", falou.

De acordo com o instituto, a quantidade de municípios brasileiros com alta ou muito alta vulnerabilidade social caiu de 3.610, em 2000, para 1.981, em 2010. Já o número de municípios com baixa ou muito baixa vulnerabilidade social passou de 638, em 2000, para 2.326, dez anos depois. A evolução foi mais nítida em alguns estados das regiões Centro-Oeste (como a faixa de fronteira do Mato Grosso do Sul), Norte (especialmente Tocantins) e Nordeste (com destaque para o sul da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e leste de Pernambuco).

Regiões

Apesar dessa evolução no quadro social, ainda existem disparidades regionais, com a concentração de municípios na faixa de muito alta vulnerabilidade social na região Norte (estados do Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia) e no Nordeste (principalmente nos estados do Maranhão, de Alagoas e de Pernambuco, além de porções do território baiano).

O Centro-Oeste registra 48,5% de seus municípios com baixa vulnerabilidade social. Na mesma faixa estavam 48,8% dos municípios da região Sudeste, entre eles as capitais São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). Vitória (ES) apresentou muito baixa vulnerabilidade social. A região Sul, por sua vez, é a que teve mais municípios com IVS muito baixo: 28,7%.

Na região Norte, 41,9% dos municípios estavam na faixa de IVS muito alto em 2010 e não havia nenhum município com o índice muito baixo. Na região Nordeste, quase metade dos municípios (47,7%) apresentavam IVS alto, em 2010. O destaque ficou por conta do Rio Grande do Norte, onde 28% dos municípios tiveram retração do IVS da ordem de 0,181 a 0,377.

Prosperidade Social

O Atlas da Vulnerabilidade Social nos Municípios Brasileiros traz, ainda, a análise integrada do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) como IVS, o que resulta no conceito de prosperidade social. Assim, nos casos em que uma região atingiu alto desenvolvimento humano e baixa vulnerabilidade social, considerou-se que o território é “socialmente mais próspero”.

A grande quantidade de municípios do Sul e do Sudeste com alto desenvolvimento humano e baixa vulnerabilidade social fez com que a faixa de muito alta prosperidade social fosse a mais numerosa em 2010. No entanto, a melhoria das condições de prosperidade social não ocorreu de forma homogênea em todo o país: os municípios do Norte e Nordeste permaneceram, em sua maioria, à margem do desenvolvimento enquanto processo capaz de reduzir a vulnerabilidade social.

Redator: Livia PalmieriEditor: Bruna LimaCom informações do Ipea
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